segunda-feira, 16 de maio de 2016

O SACERDOTE DA ANTIGA ALIANÇA: Consagração e Serviço


Texto chave: Levítico 8
Textos de Apoio: Êxodo 28; Êxodo 29: 1-37

Moisés recebeu a ordem de Deus para consagrar Sumo Sacerdote e sacerdotes dentre o povo de Israel. Esses, seriam os responsáveis pela vida espiritual do povo, os mediadores entre Deus e o Seu povo.
Para este serviço, Deus escolheu pessoas da família de Moisés; seu irmão e sobrinhos.

Êxodo 28:1-13 - Faze também vir para junto de ti Arão, teu irmão, e seus filhos com ele, dentre os filhos de Israel, para me oficiarem como sacerdotes, a saber, Arão e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar. Farás vestes sagradas para Arão, teu irmão, para glória e ornamento.

Esta passagem da Palavra de Deus nos mostra como Deus é coerente desde o princípio. Deus criou a família e deseja sempre contar com a família para realizar os Seus propósitos de abençoar o Seu povo escolhido - os judeus - e os demais povos da terra.
       Para que isso seja possível há necessidade de consagração e santidade. Deus diz a nós:  

Eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo; (Levítico 11:44a)

O que Deus pede de nós não é algo difícil quando estamos submissos à Sua boa, agradável e perfeita vontade: 

Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12:1,2)

O capítulo 8 de Levítico nos mostra um cerimonial de consagração e santificação. Este ritual é melhor detalhado nos capítulos 28 e 29:1-37 do livro de Êxodo. Podemos resumir este cerimonial em:
1.            ELEMENTOS FÍSICOS:

A. Pessoas:
- Moisés, o oficiante (Levítico 8:1): foi a Moisés, o líder, que Deus descreveu como deveria ser realizada a consagração do Sumo Sacerdote e dos sacerdotes. O líder é a autoridade divina. Pesa sobre o líder, seja ele político, religioso, familiar, comunitário ou trabalhista uma grande responsabilidade atribuída por Deus, a de ser exemplo, andar em retidão e justiça, pois estas virtudes fazem parte do caráter de Deus.

- Testemunhas (Levítico 8:3,4): todo o povo de Israel foi convidado para assistir à consagração de Arão e de seus filhos. A Palavra de Deus nos diz que estamos rodeados por uma “grande nuvem de testemunhas” (Hebreus 12:1). O intuito de Deus em convidar o povo se dá por três princípios: 1) Pedagógico: Deus é excelente e paciente no ensino. Ele estava ensinando ao povo, por meio da palavra e da visualização como eles deveriam viver, ou seja, em santidade, novidade de vida e zelo. 2) Comunitário: Deus valoriza a participação da comunidade. Diferentemente de outros deuses, desde o jardim do Éden DEUS vem ao encontro de sua criatura, pois diariamente Ele conversava com Adão e Eva – Quando ouviram a voz do SENHOR Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do SENHOR Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim. E chamou o SENHOR Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás?” (Gênesis 3:8,9). 3) Espiritual: o que o povo estava presenciando naquela cerimônia expressava e expressa a natureza e o caráter de Deus. Vale aqui repetir as palavras de Deus:  "Eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo" (Levítico 11:44a). Deus tem prazer em manter comunhão com Seus Filhos e Ele sempre está investindo nisso.



- Os candidatos à consagração (Levítico 8:2): Arão e seus filhos seriam consagrados, separados e santificados para a trabalho de Deus. Eles estavam diante de Deus e de todo o povo. O compromisso de Arão como Sumo Sacerdote e de seus filhos como sacerdotes ordenados era tanto vertical como horizontal. Deviam eles obedecer e cumprir às ordens de Deus servindo aos seus semelhantes. 
À semelhança de Arão e de seus filhos, somos chamados para servir e proclamar a glória de Deus e Seu Reino.

Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou. (Romanos 8:30)
           
            Portanto, tudo que Deus faz em nossas vidas e no mundo tem um propósito específico e é muito bom! A nós é bom proceder a obediência e o coração sempre disposto.

B. Alimentos (Levítico 8:26): 
- Pães e bolos, feitos com flor de farinha[1]: deviam ser feitos sem fermento “asmos” e amassados com azeite.
- Obreias[2]: deviam ser feitas com flor de farinha, sem fermento e untadas com azeite.
O cuidado no preparo destes alimentos devia ser rigorosamente obedecido.  Segundo LINO (2013),
“A Farinha Flor é a mais refinada e branca, sendo adequada para a confecção de massas muito leves e fofas, como o pão de ló ou tortas...
... A flor de farinha era a denominação dada ao trigo passado em peneira muito fina, resultando numa farinha semelhante a que usamos hoje. É a farinha mais refinada e branca que existe. É um trigo bem moído. É a flor da farinha ou trigo candeal, (espécie da melhor entre os trigos de farinha branca) que corresponde ao latim simola .(sêmola)...
... Dar a flor de farinha como sacrifício no templo indicava que uma pessoa de pouquíssimas posses estava dando o melhor para Deus, que exigia algum esforço seu... (Gênesis 18:6)...
... A flor de farinha, o principal elemento da oferta de manjares, representa a humanidade de Cristo que é refinada, perfeita, suave, equilibrada e correta em todas as maneiras, sem excesso nem deficiência; isso representa a beleza e a excelência do viver humano e do andar diário de Cristo.
A flor da farinha fala da uniformidade e equilíbrio do caráter de Cristo, da perfeição onde nenhuma qualidade é excessiva ou ausente. Para Cristo ser um sacrifício perfeito para Deus, Ele precisou viver uma vida perfeita e sem pecado. A flor de farinha é uma figura da vida pura e uniforme de nosso bendito Senhor. O sacerdote podia tomar um punhado da farinha, derramar azeite e incenso sobre ela, e então queimá-la sobre o altar”.

            - Carne: Deus proveu a carne do carneiro da consagração para Moisés, Arão, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar (vs. 29 e 31):

Tomou Moisés o peito e moveu-o por oferta movida perante o SENHOR; era a porção que tocava a Moisés, do carneiro da consagração, como o SENHOR lhe ordenara.
Disse Moisés a Arão e a seus filhos: Cozei a carne diante da porta da tenda da congregação e ali a comereis com o pão que está no cesto da consagração, como tenho ordenado, dizendo: Arão e seus filhos a comerão.


Em tudo o que fazemos, devemos dar o melhor de nós, pois Deus deu o Seu Melhor, Jesus Cristo, o Seu Filho Amado.

C. Animais para as ofertas (Levítico 8:2,14, 18, 22):
- Um novilho: era oferecido como oferta pelo pecado.
- Primeiro carneiro: oferecido para oferta de holocausto como oferta de aroma agradável a Deus.
c. Segundo carneiro: oferecido como o carneiro da consagração.
Todos estes animais deveriam ser sem defeito e cumpriam o papel de serem ofertas a Deus, para o trabalho de Deus.
Toda oferta que damos a Deus deve custar algo para nós.
Quando o rei Davi fez um recenseamento do povo cuja finalidade era mostrar a glória do seu reino e de seu exército (II Samuel 24), Deus reprovou este comportamento e castigou o povo. O meio de aplacar a ira de Deus, foi oferecer a Deus sacrifícios de holocausto e ofertas pacíficas. Davi teve a oportunidade de oferecer animais que o rei Araúna estava oferecendo a ele, porém, vejamos sua atitude resiliente:

Então, disse Araúna a Davi: Tome e ofereça o rei, meu senhor, o que bem lhe parecer; eis aí os bois para o holocausto, e os trilhos, e a apeiragem dos bois para a lenha. Tudo isto, ó rei, Araúna oferece ao rei; e ajuntou: Que o SENHOR, teu Deus, te seja propício. Porém o rei disse a Araúna: Não, mas eu to comprarei pelo devido preço, porque não oferecerei ao SENHOR, meu Deus, holocaustos que não me custem nada. Assim, Davi comprou a eira e pelos bois pagou cinquenta siclos de prata. Edificou ali Davi ao SENHOR um altar e apresentou holocaustos e ofertas pacíficas. Assim, o SENHOR se tornou favorável para com a terra, e a praga cessou de sobre Israel. (II Samuel 24:22-25)

Deus se agrada de quem oferta com alegria e liberalidade (generosidade).

Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão quanto ao evangelho de Cristo e pela liberalidade com que contribuís para eles e para todos, (II Coríntios 9:7, 13)
A quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescenta mais e mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura perda. A alma generosa prosperará, e quem dá a beber será dessedentado. (Provérbios 11:24,25)

D. Óleo da unção (Levítico 8:2; Êxodo 30:22-33)
Este óleo era feito com as mais excelentes especiarias como a mirra, cinamomo, cálamo, cássia e azeite de oliveira. Deveria ser usado APENAS para a unção de pessoas, objetos e lugares consagrados ao serviço de Deus. Não deveria ser usado como perfume corporal, pois era óleo consagrado ao Senhor.

E. Vestes sacerdotais (Levítico 8:2; Êxodo 28:3-43)
Os detalhes das vestes sacerdotais estão descritos em Êxodo 28:3-43.
As vestes deviam ser feitas por homens aos quais Deus havia capacitado para fazê-las. Eram compostas por: um peitoral com duas pedras, o Urim e o Tumim; uma estola sacerdotal; uma sobrepeliz; uma túnica bordada, mitra e cinto.
Os materiais usados eram: linho, ouro, duas (02) pedras de ônix escritas os nomes das 12 tribos de Israel, seis de cada lado, que eram colocadas em cada ombro; doze (12) outras pedras preciosas colocadas no peitoral do juízo.


As cores usadas eram azul, púrpura, carmesim e branca do linho fino. Cada uma dessas cores nas vestes e demais materiais utilizados no tabernáculo tinha um significado e apontavam para Jesus Cristo.
Segundo o Pr. Calvin Gardner[3],

Azul – Natureza Celestial de Cristo, Cristo O Espiritual, ou homem celestial, I Coríntios 15.47,48; João 1.18; Hebreus 7.26; a origem celestial de Cristo. Azul é a cor dos céus, portanto aponta o caráter e a natureza de Cristo como Sumo Sacerdote. 
Púrpura – Realeza, Soberania de Cristo, o “Rei dos reis, e Senhor dos senhores”, Apocalipse 19.16; Marcos 15.17-18. Púrpura é a cor dos reis (Marcos 15.17,18), portanto essa cor manifesta a verdade que Cristo é o Soberano e tem toda a glória dessa posição Real. Cristo foi profetizado para ser o Príncipe da Paz e reinar “do trono de Davi, cujo principado e paz não haverá fim” (Isaías 9.6,7). 
Carmesim – Sacrifício, Apocalipse 5.9-10; Números 19.6; Levítico 14.4; Hebreus 9.11-14, 19, 23, 28. A cor carmesim, pelas escrituras, e especialmente quando se refere ao Cristo, manifesta o Cristo Sacrificatório e a Sua humildade. A cor carmesim, para os usos no tabernáculo, foi conseguida do corpo da fêmea do “coccus ilicis” um verme (Salmo 22.6, a palavra hebraica para escarlata e carmesim). 
O nome ‘Adão’, uma palavra babilônica, significa ‘vermelha’ por ser feito da terra (# 0121, Strong’s). 
Branca – do linho fino – Perfeição, pureza e santidade de Deus em Cristo, e aos que são lavados no sangue de Cristo (Apocalipse 7.9-17; Salmo 132.9).
A cor branca do linho fino é emblemática da perfeição, pureza, e santidade de Deus em Cristo, e aos que são lavados no sangue de Cristo. A cor branca refere-se ao efeito da obra de Cristo no lugar do Seu povo. Ele os faz perfeitos, santos e justos, propícios para serem na presença de Deus. Apocalipse 7. 9-17: “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas … (Apocalipse 19. 7-9). Deus veste Seus sacerdotes de justiça, como são vestidos os sacerdotes do tabernáculo (Êxodo 28.39; Salmo 132.9; Zacarias 3.3,4). Não podemos pensar que tenhamos a justiça de Deus se estamos fora de Cristo. Temos que ser lavados pelo Seu sangue se esperamos ser redimidos da nossa vã maneira de viver (I Pedro 1.18,19). Entramos em Cristo pelo arrependimento dos pecados e fé no sacrifício de Cristo em nosso lugar. Nessa maneira o pecador é feito limpo, perfeito, puro e justo diante de Deus. Está nEle? Se arrependa e creia nEle já! De outra maneira as suas vestes sujas continuam e no fim, será lançado “nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes” Mateus 2.13.

2. AS OFERTAS DO CERIMONIAL (Levítico 8:14-25):

- Expiação dos pecados: era oferecido um novilho, sem defeito. O animal era a oferta substitutiva.
Os passos desta oferta são: 
a) Imposição de mãos de Arão e de seus filhos sobre a cabeça do animal simbolizando, assim, que estavam “transferindo” seus pecados para a vítima (v.14); 
b) morte do animal (v.15); 


c) colocação, com o dedo, do sangue colocado sobre cada chifre que está nas quatro pontas do altar para a purificação do altar (v. 15); 
d) derramamento do restante do sangue na base do altar para o consagrá-lo (v,15); 
e) Queima da gordura sobre o altar (v.16); 
f) Queima do couro, da carne e do excremento do animal fora do arraial (v. 17).

- Holocausto:  um carneiro era sacrificado e este tipo de oferta era um aroma agradável a Deus. O animal era uma oferta de pedido de perdão e benevolência de Deus.
Os passos desta oferta são: 
1) Imposição de mãos de Arão e de seus filhos sobre a cabeça do animal (v.18); 
2) morte do animal e aspersão do sangue da vítima sobre o altar e em redor (v.19); 3) Esquartejamento do animal e queima da cabeça, dos pedaços da carne e da gordura (v.20); 
3) Lavagem com água das pernas e entranhas do animal (v.21); 
4) Queima do animal sobre o altar como oferta agradável e Deus (v.21).
Este último passo da oferta de holocausto nos traz à memória o que Deus nos diz:
Pois, para com as suas iniquidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei. (Hebreus 8:12)

- Movida diante de Deus:  era oferecido um segundo carneiro chamado de “carneiro da consagração” (v.22).
Os passos desta oferta são: 
a) A morte do carneiro (v. 23); 
b) A colocação do sangue do animal na orelha direita, no polegar da mão direita e no polegar do pé direito primeiramente em Arão e depois nos seus filhos (v.23,24); 


c) Aspersão do restante do sangue sobre o altar e em redor (v.24); 
d) Arão e seus filhos apresentam a Deus a oferta movida, ou seja as gorduras das entranhas, dos rins e do fígado, os rins, a coxa direita, um bolo sem fermento, um bolo de pão azeitado e uma obreia (v.25-27). 

e) Queima da oferta movida no altar. Era uma oferta de consagração que subia até Deus como aroma agradável (v. 28). 
f) Moisés apresenta o peito do animal como oferta movida a Deus. Esta parte do animal era a porção alimentícia de Moisés, Arão e seus filhos como Deus havia ordenado (v. 29);
g) Unção das vestes de Arão e de seus filhos com a aspersão do óleo da unção e do sangue que estava sobre o altar (v. 30); 


h) Provisão alimentícia para Arão e seus filhos de carne e pães consagrados na oferta movida (v.31). 9) Queima das sobras (v. 31).

Com este cerimonial aprendemos que:
- Para que possamos ser aceitos e ouvidos por Deus faz-se necessário, primeiramente, confessarmos nossos pecados.

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. (I João 1:9)

            - Jesus é o Cordeiro de Deus que morreu em nosso lugar.

No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! (João 1:29)

            - O altar de Deus é lugar de santo, por isso, antes de chegar até ele, há necessidade de purificação pela Palavra de Deus e consagração.

Porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido. Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. (Efésios 5:23-27)

            - Deus é justo com aquele que se achega a Ele em contrição.

Pois, para com as suas iniquidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei. (Hebreus 8:12)

            - Devemos ter um corpo e uma vida de consagração diária a Deus em tudo o que pensamos, vemos, ouvimos; pegamos e por onde andamos.

Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12:1,2)

Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo. (Efésios 5:15-21)


Nosso vestuário também deve ser santificado a Deus. A forma como nos vestimos deve revelar a beleza, a santidade, a glória e o Reino de Deus. Infelizmente, hoje em dia, esta verdade tem sido ignorada pelos próprios crentes. O vestuário é algo aparente e passa pelo crivo dos olhos. Portanto,

Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e jamais falte o óleo sobre a tua cabeça. (Eclesiastes 9:8)


Os teus olhos olhem direito, e as tuas pálpebras, diretamente diante de ti. (Provérbios 4:25)

São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! (Mateus 6:22,23)

            - O mesmo Deus que chama, separa, consagra e envia é o mesmo Deus que provê as necessidades dos Seus filhos enquanto eles trabalham. Por isso, precisamos fazer a nossa parte: trabalhar e confiar.

Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem.  (Salmo 127:2)


3.            CONSAGRAÇÃO DE ARÃO COMO SUMO SACERDOTE E DE SEUS FILHOS COMO SACERDOTES (8:6-12)

Na ordem de consagração, Arão foi o primeiro, pois ele seria Sumo Sacerdote. O cerimonial  consistia de: 
a) Lavagem do corpo com água (v. 6) – Arão e seus filhos foram lavados com água diante de toda a congregação. Era necessário tirar as impurezas do corpo que agora estaria a serviço de Deus. João 15:3 fala que a Palavra de Deus nos limpa – Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado” .
b) Troca de vestimentas comuns pelas vestes sacerdotais consagradas – As vestes de Arão, o sumo sacerdote, consistiam em : túnica, cinto, sobrepeliz (capa), estola sacerdotal (manto), cinto, peitoral do juízo, mitra (turbante na cabeça) com a lâmina de ouro escrita “Santidade ao Senhor”. As roupas de Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar eram a túnica, o cinto e as tiaras. Também fazia parte das vestes de Arão e de seus filhos, calções de linho que iam da cintura até a coxa – (v. 7-9; Êxodo 28:36; Êxodo 28:42).
c) Unção com o óleo da unção (v.10-12) – Somente Arão foi ungido, pois ele seria o sumo sacerdote. O óleo foi aspergido sobre o tabernáculo e sobre Arão o Sumo Sacerdote. Isso nos ensina que tanto nós, como o lugar que Deus designou como nosso local de trabalho ou sob nossa responsabilidade, são santos e abençoados por Ele. Portanto, requerem uma vida de santidade. Somente o Sumo sacerdote era ungido.
No Velho Testamento encontramos a menção de Jesus como o Filho do Rei e o Ungido de Deus:

Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo: (Salmo 2:2)

Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos. (Daniel 9:25)


d) Confissão dos pecados por meio da apresentação da oferta pelo pecado. Um novilho era sacrificado no lugar do pecador (v.14-17).
e) Adoração a Deus e através da oferta de holocausto. Um carneiro era sacrificado (v. 18-21).
f) Consagração do corpo para o trabalho de Deus. O carneiro da consagração era sacrificado (v.22-24).
Na antiga Aliança, Arão era o Sumo Sacerdote e prefigurava a vida e obra de Jesus Cristo (Hebreus 7). O apóstolo Pedro afirma que, em Cristo, nós somos Sacerdócio Real e povo escolhido de Deus. Esta é nossa posição no corpo de Cristo hoje.

Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia. ( Pedro 2:9,10)
                                    

4.  A OBEDIÊNCIA DE MOISÉS E A SUBMISSÃO DE ARÃO E DE SEUS FILHOS 

Todo o cerimonial de consagração de Arão a sumo sacerdote e de seus filhos como sacerdotes foi ordenada e instruída por Deus ao seu servo Moisés: 

v.1-Disse mais o Senhor a Moisés; 
vs.9,17,21- como o Senhor ordenara a Moisés; 
vs.13,29- como o Senhor lhe ordenara; 
v.34- assim o Senhor ordenou se fizesse; 
v.35- porque assim me foi ordenado; 
v.36- Arão e seus filhos fizeram todas as coisas que o Senhor ordenara por intermédio de Moisés). 

Destacamos aqui que houve obediência por porte de Moisés na execução das ordens de Deus quanto ao cerimonial e submissão de Arão e de seus filhos.  Deus se agrada daqueles que o obedecem e seguem os seus preceitos.
“Não precisamos entender, só preciso NELE crer” é o refrão de um hineto. Assim deve ser, devemos crer em Deus e obedecê-LO.
Uma vida de obediência a Deus é garantia de bênção, paz, contentamento, aceitação e comunhão contínua com Deus.

Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o OBEDECER É MELHOR DO QUE O SACRIFICAR, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei. (I Samuel 15:22,23)


 O autor de Hebreus faz o apelo à obediência dizendo: 

 Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração... (Hebreus 3:7,8a)


                                                             * * * * * * * * * *



 * Este estudo foi ministrado por Raquel Alcantara, na Escola Bíblica Dominical da Primeira Igreja Batista de Sobradinho-DF, na classe de Adultos "Hebreus e Levítico", em 15 de maio de 2016. 









[1] A flor de farinha. Disponível em http://oleirosdorei.blogspot.com.br/2013/04/a-flor-de-farinha.html. Acessado em 14.mai.2016 às 09:48.
[2] OBREIA: “Folha delgada de massa de farinha sem fermento, usada para fazer hóstias, para certos doces de pastelaria, para envolver medicamentos ou para colar papeis”. Disponível em Dicionário Priberam da Língua Portuguesa 2008-2013. Acessado em 14.mai.2016 às 11:12.
[3] GARDNER, Calvin (Pr.). O significado espiritual do material e cores usadas no tabernáculo. Disponível em http://www.montesiao.pro.br/estudos/adoracao/significado_espiritual.html. Acessado em 14.mai.2016 às 15:06.

sábado, 9 de abril de 2016

Advertência contra a dureza de coração (incredulidade) - Hebreus 3:7-19

ADVERTÊNCIA CONTRA A DUREZA DE CORAÇÃO  (INCREDULIDADE)

Texto de Base: Hebreus 3:7-19
Textos Correlacionados: Números 20:1-13; Salmo 78:15-17; Salmo 95:7-11;

CINCO ADVERTÊNCIAS OU EXORTAÇÕES NO LIVRO DE HEBREUS:
1.     Primeira advertência: 2:1-4 – não desviar da Palavra por negligência
2.     Segunda advertência: 3:7-4:13 – não duvidar da Palavra por dureza de coração
3.     Terceira advertência: 5:11-6:20 – Não desistir da Palavra por indolência
4.     Quarta advertência: 10:26-39 – Não desprezar a Palavra através de pecado voluntário
5.     Quinta advertência: 12:14-29 – Não desobedecer à Palavra por obstinação


I.             OS DESTINATÁRIOS DO LIVRO AOS HEBREUS:
Lembremos que, há grandes evidências de que o livro de Hebreus foi escrito para um grupo de hebreus em particular, tendo em vista que o autor refere-se à condição espiritual dos leitores (Hebreus. 3:1; 6:10; 5:11-14; 7:11). Para muitos historiadores, este grupo achava-se em Jerusalém pelo fato de conhecerem muito bem o culto do templo assim como o sistema de sacrifícios. Além disso, concorda-se que muitos dos judeus crentes em Jerusalém eram sacerdotes e fariseus (Atos 6:7; 15:5).

Hoje vamos estudar uma parte da segunda advertência, antes, porém, vamos definir o que é incredulidade.

Dicionário Michaelis[1]: 1 Falta de credulidade. 2 Qualidade de quem é incrédulo.3 Disposição para não acreditar. 4 Falta de credo, falta de fé. 5 Irreligião; ateísmo.

Dicionário Priberam[2]: 1. Falta de crença; descrença; 2. Repugnância em crer; 3. Ateísmo.

A fim de advertir os crentes hebreus, o autor traz à memória do povo o seu passado histórico de caminhada no deserto rumo à terra prometida.

Passemos ao estudo do texto:

V. 7: Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz,” – Em primeiro lugar, o autor deixa claro que quem adverte/exorta o povo é o Espírito Santo. Em segundo lugar, ele afirma que o tempo apropriado para o arrependimento é o dia de Hoje, o tempo presente da vida do ser humano. Não tem por que protelar o arrependimento, pois o dia do amanhã não pertence ao ser humano, conforme lemos:

Não te glories do dia de amanhã, porque não sabes o que trará à luz
(Provérbios 27:1 – Versão Revista e Atualizada)

“Agora escutem, vocês que dizem: Hoje ou amanhã iremos a tal cidade e ali ficaremos um ano fazendo negócios e ganhando muito dinheiro! Vocês não sabem como será a sua vida amanhã, pois vocês são como uma neblina passageira, que aparece por algum tempo e logo depois desaparece”
(Tiago 4:13,14 – NTLH)

Vs. 8,9: não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto, onde os vossos pais me tentaram, pondo-me à prova, e viram as minhas obras por quarenta anos” – O autor leva seus ouvintes ao acontecimento narrado em Números 20:1-13, quando os seus pais no deserto provocaram a ira de Deus.
Ainda no Egito, os judeus receberam de Deus a instituição da Páscoa. Os judeus deveriam celebrar sua libertação do cativeiro do Egito no dia 10 do mês de Nisan[3], o primeiro mês do calendário judeu (Êxodo 12:1,2). Deus enviou a décima praga (Êxodo 12:29,30), a morte dos primogênitos, que atingiu os egípcios, porém o povo de Deus foi poupado. Após saírem do Egito, foram perseguidos pelo exército de Faraó e mais uma vez Deus operou maravilhas livrando o povo de seus perseguidores. Deus abriu o Mar Vermelho e o povo atravessou à seco o mar, porém o exército de Faraó pereceu nas águas (Êxodo 14).
Livres de seus opressores, o povo iniciou sua jornada à terra prometida. Entretanto, a jornada não foi tranquila, mas marcada por muita murmuração contra Deus e a liderança por Ele constituída. Por dez vezes, o povo provocou a ira de Deus – “...todavia, me puseram à prova já dez vezes e não obedeceram à minha voz,” (Números 14:22b).

II.            AS DEZ PROVOCAÇÕES

PRIMEIRA PROVOCAÇÃO: Do Mar Vermelho, caminharam por 3 dias no Deserto de Sur e faltou água. Caminharam mais um pouco e acharam água, mas era amarga. O povo murmurou contra Moisés. Através de Moisés, Deus operou o milagre transformando a água amarga em água doce, potável e própria para o consumo. Aquele lugar ficou conhecido como Mara, que quer dizer amarga (Êxodo 15:22-25).
Continuaram a caminhada e chegaram em Elim. Neste local Deus os abençoou com 12 fontes de água e 70 palmeiras. Ali ficaram acampados até o dia 15 do mês de Iyar[4], o segundo mês. De Elim foram para o deserto de Sim. Até então, o povo havia caminhado por 1 mês e 5 dias.

SEGUNDA PROVOCAÇÃO: No deserto de Sim, novamente o povo murmurou contra Moisés porque estavam sem comida. Disseram os maiores impropérios contra seu líder, o servo de Deus. A ingratidão foi tão extrema que desejaram ter morrido no Egito do que morrer de fome no deserto. Deus supriu o povo enviando o maná (Êxodo 16:1-10).
Mesmo supridos com o Maná enviado do céu por Deus, o povo continuou murmurando contra Moisés. Cansado das murmurações, Moisés chamou o povo à consciência de que as murmurações deles não eram contra ele e Arão enquanto líderes, mas contra o próprio Deus – “... porquanto o Senhor ouviu as vossas murmurações, com que vos queixais contra ele; pois quem somos nós? As vossas murmurações não são contra nós, e sim contra o SENHOR” (Êxodo 16:8b). Deus enviou carne de codornizes e continuou enviando o maná também (Êxodo 16:11-36).

TERCEIRA PROVOCAÇÃO: Do deserto de Sim, o povo partiu acampando até chegar em Refidim. Em Refidim, porém, não havia água e o povo novamente murmurou contra Moisés. Mais uma vez o ingrato povo se lembrou do Egito. Deus orientou Moisés a ir adiante com alguns dos anciãos do povo como testemunhas, até a rocha em Horebe e feri-la com o seu bordão, pois dela sairia água. Assim Moisés o fez e o povo foi suprido de água. O nome daquele lugar se chamou Massá e Meribá (Êxodo 17:1-7).

QUARTA PROVOCAÇÃO: Depois de caminhar por 3 meses, o povo chegou ao Deserto do Sinai no primeiro dia do mês de Sivan, o terceiro mês do calendário judeu[5]. Deus ordenou a Moisés que subisse no Monte Sinai a fim de receber os 10 mandamentos, a Lei. O povo ficou esperando por 40 dias sob a liderança de Arão e, como Moisés demorou a voltar, o povo fez para si um bezerro de ouro, obra de suas mãos para adorar. Abandonaram e deixaram Deus de lado. (Êxodo 32). O povo foi disciplinado por Deus, recebeu as outras tábuas da Lei, orientações para a construção do tabernáculo e regras de convivência em comunidade.

QUINTA PROVOCAÇÃO: O povo ficou no Monte Sinai por onze meses, do mês de Sivan até o mês de Iyar. Reiniciaram a caminhada no segundo mês do segundo ano, ou seja, no dia 20 do mês de Iyar. Partindo do Sinai, o povo foi acampando em lugares que Deus designava por meio da nuvem que os acampanhava. Entretanto, o povo voltou a queixar-se de sua sorte e Deus muito se irou contra o povo. Como disciplina, Deus mandou fogo e consumiu as extremidades do arraial. O povo clamou e Moisés intercedeu pelo povo junto a Deus (Números 11:1-3).

SEXTA PROVOCAÇÃO: Entre os viajantes havia outras pessoas que não eram do povo judeu. Eram consideradas estrangeiras. Elas também eram beneficiadas com a provisão de alimento diariamente enviado por Deus, mas começaram a  sentir saudade das comidas que tinham no Egito, murmuraram, choram e desdenharam do Maná. Todo o povo foi contagiado pelo murmúrio e a ira de Deus se acendeu contra o povo. Mais uma vez, Moisés sentiu o peso de sua carga e clamou a Deus. O Senhor orientou Moisés a escolher 70 anciãos para o ajudarem. Deus supriu o povo enviando carne em grande quantidade até ao ponto do povo ficar enfastiado. (Números 11).

SÉTIMA PROVOCAÇÃO: está relacionada ao ciúme de Arão e Miriã por Moisés em dois sentidos: 1) por Moisés ter se casado com uma mulher de origem cuxita, ou seja, da Etiópia e não ter se casado com uma mulher do seu próprio povo (Números 12:1), 2) por ter sido ele o escolhido para liderar povo, ficando Arão e Miriã como colaboradores. Para Arão e Miriã isso era mal aos seus olhos. Deus se irou com esta atitude, puniu a Miriã com lepra. Ela ficou separada fora do arraial por 7 dias. Depois disso, o povo partiu para o deserto de Parã (Números 12:1-16).

OITAVA PROVOCAÇÃO: No Deserto de Parã, Deus ordenou a Moisés que enviasse 12 homens para espiar a Terra Prometida. Apenas dois deles, Josué e Calebe, relataram positivamente, mas dez deles apresentaram um relatório incrédulo que levou o povo ao desespero, à murmuração e à tentativa de organizar um motim sob nova liderança a fim de voltar ao Egito de onde tinham tanta saudade! (Números 13; 14:1-19). Por causa da incredulidade e rebeldia, já estando às portas de entrar na Terra prometida, no descanso, Deus castigou o povo condenando-os a passarem um total de 40 anos no deserto e ali morrerem, com exceção de Josué e Calebe (Números 14:20-38).

NONA PROVOCAÇÃO: Corá, Datã e Abirão reuniram um grupo e se levantaram em rebelião contra a liderança de Moisés e Arão. Deus os puniu com a morte e fez saber ao povo os líderes que Ele mesmo havia escolhido para dirigir o povo (Números 16).

DÉCIMA PROVOCAÇÃO: aconteceu no terceiro ano de jornada do povo, no primeiro mês, o mês de Nisan. O povo havia chegado a Cades, no Deserto de Zim. Mais uma vez, o povo murmurou e praguejou contra Moisés e Arão porque não havia água ali. Para resolver a situação, Deus ordenou a Moisés que chamasse Arão e o povo e, diante de todos Moisés deveria falar à rocha, pois dela sairia água. Esta provocação custou muito a Moisés. Mesmo tendo sido considerado por Deus um homem “mui mando, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Números 12:3), a paciência de Moisés chegou ao limite e, ao invés de falar à rocha, Moisés a feriu duas vezes com seu bordão. Por ter descumprido à ordem de Deus foi punido. Deus concedeu a Moisés apenas que visse de longe a Terra Prometida, mas não permitiu que ele entrasse. (Números 20:1-13).

O versículo 8 é uma alusão à terceira provocação e é repetido e, Salmo 95:8.
De acordo com o site www.aBiblia.org, a distância entre o Egito e Canaã é cerca de

“...500 quilômetros, dependendo das rotas consideradas, e, obviamente não justificam 40 anos de caminhada. Com certeza as caravanas daquele período faziam esse trajeto em cerca de 1 mês. Considerando essas evidências, é óbvio que por trás da narração bíblica existe algo mais do que uma simples história de uma viagem do Egito para a Terra Prometida”[6].

A passagem de Hebreus 3:7-19 confirma que a incredulidade, a desobediência, infidelidade a Deus e a murmuração foram alguns dos motivos que levaram os judeus a não entrarem em Canaã. Por 40 anos no deserto ficaram às portas da terra do descanso. Aquela geração bem sabia de seu pecado e do juízo que Deus estava exercendo sobre eles, visto que Deus mesmo disse:

“Neste deserto, cairá o vosso cadáver, como também todos os que de vós foram contados segundo o censo, de vinte anos para cima, os que dentre vós contra mim murmurastes; não entrareis na terra a respeito da qual jurei que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.  Mas os vossos filhos, de que dizeis: Por presa serão, farei entrar nela; e eles conhecerão a terra que vós desprezastes. Porém, quanto a vós outros, o vosso cadáver cairá neste deserto. Vossos filhos serão pastores neste deserto quarenta anos e levarão sobre si as vossas infidelidades, até que o vosso cadáver se consuma neste deserto. Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, quarenta dias, cada dia representando um ano, levareis sobre vós as vossas iniquidades quarenta anos e tereis experiência do meu desagrado. Eu, o SENHOR, falei; assim farei a toda esta má congregação, que se levantou contra mim; neste deserto, se consumirão e aí falecerão” (Números 14:29-35




Direcionado por Deus, a rota escolhida por Moisés não foi a mais curta, mas também não tão longa (Êxodo 13:17). A rota escolhida foi descrita[7] em Êxodo 13:18 “O caminho do deserto do Mar Vermelho” e visava a segurança do povo.

V. 10: Por isso, me indignei contra essa geração e disse: Estes sempre erram no coração; eles também não conheceram os meus caminhos” – Deus é por demais paciente e misericordioso. Ele aguentou 40 anos de rebeldia, de ultraje, de rejeição, de desobediência, de murmuração, de cegueira espiritual e tantos outros impropérios. Deus se indignou com a ingratidão do povo. Ele tinha todos os motivos para exterminar todo aquele povo, mas por amor ao seu servo Moisés e à promessa feita a Abraão, Isaque e Jacó (Êxodo 33:1), Deus nunca abandonou o povo. Todas as vezes que o povo se arrependia, Deus os perdoava. Deus é longânimo! 

PROMESSA A ABRAÃO:
Gênesis 12:1-3 - “Ora, disse o SENHOR a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.
Gênesis 13:14-17 - Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência. Levanta-te, percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura; porque eu ta darei.

PROMESSA A MOISÉS:
Êxodo 13:21,22O SENHOR ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho; durante a noite, numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite. Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite.

Êxodo 33:13-15: Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é teu povo. Respondeu-lhe: A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso. Então, lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar.


V.11: Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso” – o povo de Israel tratou Deus com desdém. Desdenhar é desprezar com orgulho, é menosprezar. Como consequência, Deus decidiu que não entrariam na Terra Prometida, na terra do descanso após 430 de cativeiro no Egito e de peregrinação no deserto conforme Deuteronômio 1:34-36: 

Tendo, pois, ouvido o SENHOR as vossas palavras, indignou-se e jurou, dizendo: Certamente, nenhum dos homens desta maligna geração verá a boa terra que jurei dar a vossos pais, salvo Calebe, filho de Jefoné; ele a verá, e a terra que pisou darei a ele e a seus filhos, porquanto perseverou em seguir ao SENHOR.

            Segundo explica KISTEMAKER (2003)[8], a terra que os israelitas estavam prestes a possuir seria um DESCANSO, pois lá eles teriam uma habitação permanente e segura ( Deuteronômio 1:9). A palavra DESCANSO, entretanto, tem um significado mais profundo que o autor de Hebreus vai explicar no capítulo 4.
           
V.12: Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo;” – A advertência prossegue enfatizando que um coração incrédulo afasta a pessoa para longe de Deus.
Kistemaker (idem) afirma que os leitores são exortados a permanecer com coragem e esperança como membros da família de Deus. Eles não podem virar suas costas para Cristo em descrença, pois afastar-se de Cristo é afastar-se de Deus... a descrença – caracterizada pela desconfiança – primeiro se expressa na desobediência, o que, por seu turno, resulta em apostasia. Os sinais da apostasia são dureza de coração e inabilidade de arrependimento (Hebreus 3:13; 4:1; 6:6; 10:25-27; 12:15). As séries de contrastes podem ser feitas:
Descrença – fé
Desobediência – escutar de maneira obediente
Negligência – perseverança
Apostasia – entrada para a vida
Endurecimento - Salvação

V.13: pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” -  
O autor adverte que, ao invés de se afastar de Deus, que é vivo e santo, os judeus crentes, e, a igreja de Jesus Cristo nos dias atuais devem viver em mútuo cuidado a fim de que ninguém venha a endurecer o coração.
O autor de Hebreus está ciente do poder de Satanás em enganar as pessoas, por isso ele adverte que, como cristãos e membros pertencentes ao corpo de Cristo, devemos encorajar uns aos outros conforme I Tessalonicenses 5: 11 – “Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo”.
Quando colocamos em prática este conselho, não há espaço para que Satanás introduza suas garras de destruição na Igreja, pois ela está Unida à Cristo e Nele Fortalecida:

I Coríntios 12:12; 12:24b-26 - Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo... Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha, 25 para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros.


V.14: “Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos” – este versículo explica o motivo pelo qual os crentes judeus, e os cristãos da atualidade, não devem endurecer seus corações.
Não condiz com a pessoa que participa com Cristo de Sua vida, morte e ressurreição para uma nova vida, o fato de ter um coração endurecido pelo pecado. Pelo contrário, o que é esperado de um coração cristão é que ele seja repleto de ternos afetos – “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade” (Colossenses 3:12).

V.15: “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação - é uma necessidade diária nos lembrarmos da advertência feita neste texto bíblico. O dia é HOJE, pois como dissemos anteriormente, o amanhã não nos pertence.
Mais uma vez o autor reforça os versículos 7 e 8 e, Salmo 95:7,8 chamando a atenção para o perigo de endurecer o coração para Deus.

Vs.16-18: Ora, quais os que, tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés?  E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto? E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes?
No v. 16 o autor não deixa nenhuma dúvida na mente de seus leitores ao afirmar que todos os antepassados dos judeus que saíram do Egito e peregrinaram no deserto liderados por Moisés foram os que se rebelaram contra Deus.
Para que a advertência fique bem reforçada, o autor faz três perguntas contundentes e ele mesmo as responde. Ele conclui que:
- Todos que saíram do Egito sob a liderança de Moisés tomaram conhecimento de Deus e de Seu poder, mas escolheram sua vontade humana e própria de rebelar contra Deus e os líderes constituídos.
- Por terem se rebelado, Deus se indignou contra todos eles, durante 40 anos.
- Todos que se rebelaram contra Deus atraíram para si mesmos a morte, a ira e o juízo de Deus, além de serem privados de entrar na terra do descanso.
- A desobediência impediu o povo judeu de gozar do descanso na Terra Prometida que mana leite e mel.

V.19:  “Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade” – A conclusão do autor é enfática. A incredulidade foi o motivo principal que impediu o povo judeu de possuir a terra prometida por Deus. É necessário salientar que eles não estavam tão distantes de Canaã. A incredulidade é um pecado que atrai a morte e a separação. Deus tem preparado um descanso para as pessoas, mas muitas têm desdenhado a Deus, preferindo a morte eterna do que a vida eterna na glória com Jesus Cristo.
            A descrença (incredulidade) rouba do crente e do descrente o privilégio de gozar das bênçãos de Deus.





[1] Dicionário Michaelis Online. Disponível em http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/. Acessado em 26.mar.2016 às 08:48.
[2] Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Disponível em https://www.priberam.pt/DLPO/. Acessado em 26.mar.2016 às 08:51.

[3] Mês de Nisan – é equivalente a meados de março até meados de abril de nosso calendário.
[4] Mês de Iyar - é equivalente a meados de abril até meados de maio de nosso calendário.
[5] Mês de Sivan – é equivalente a meados de maio até meados de junho de nosso calendário.
[6] Disponível em http://www.abiblia.org/ver.php?id=7521. Acessado em 26.mar.2016 às 14:21.
[7] HUBNER, Manu Marcus. AS JORNADAS DOS ISRAELITAS PELO DESERTO. Disponível em http://www.uel.br/pos/letras/EL/vagao/EL10B-Art20.pdf. Acessado em 26.mar.2016  às 15:01.
[8] KISTEMAKER, Simon. HEBREUS: comentário do Novo Testamento. 1ª Edição. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003.